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outubro 08, 2004
ALONG CAME POLLY


(Romance Arriscado)
John Hamburg - E.U.A. 2004


Aviso: Pode conter spoilers.

Depois de ter sido abandonado pela mulher na lua-de-mel, Reuben vai procurar começar de novo. Um dia reencontra uma antiga colega de liceu, e os dois acabam por envolver-se, até que a sua ex-mulher decide voltar. Ele terá então que escolher entre a espontânea Polly e o seu antigo amor.
As comédias românticas são um género cinematográfico pouco habituado a grandes rasgos de criatividade ou génio. Uma vez por outra, lá aparece um título mais prometedor, mas na maioria dos casos constituem apenas mais uma desilusão. Este "Along Came Polly" não se pode dizer que desiluda muito, porque também promete muito pouco. As suas pretensões estão bem evidentes, e são pouco mais do que entreter e agradar ao seu público-alvo, os habituais fãs deste estilo. Ora, e apesar de esse não ser o meu caso, por vezes alguns desses títulos acabam por passar pelo meu DVD nessas tardes de "vegetação" no sofá. Como o objectivo proposto para este blog aquando da sua criação era a de ser uma espécie de diário cinematográfico, sem qualquer tipo de critério especial em relação à escolha de filmes, a não ser a minha vontade pessoal, sinto-me na obrigação de comentar também mais esta comédia. Poderia repetir tudo aquilo que se diz habitualmente deste género e provavelmente quase tudo se encaixaria na perfeição. Tem os clichés do costume, tem piadas que não resultam e outras que até farão rir, ou seja não se afasta em nada da fórmula. Mas por outro lado, tem também Ben Stiller, um dos melhores actores cómicos da actualidade, mas cujo talento tem sido, infelizmente, desperdiçado em obras menores. Se tivesse de indicar uma razão para ver este filme, só me lembraria da sua interpretação, pois o resto, apesar de não ser mau, não chega a ser digno de registo.

setembro 30, 2004
PHONE BOOTH


(Cabine Telefónica)
Joel Schumacker - E.U.A. 2002


Aviso: Pode conter spoilers.

Um jovem e ambicioso relações públicas, é encurralado por um atirador furtivo numa cabine telefónica.
Um argumento fora do normal, um estilo de realização a fugir ao mainstream, uma ideia original... mas ainda assim um filme que não surpreende nem impressiona assim tanto. Apesar de não ser um mau filme, fica a saber-nos a pouco, pois algo ali falhou. Faltou acima de tudo uma abordagem que estivesse à altura da originalidade do conceito-base.O resultado final acaba por ser a determinadas alturas pouco mais que um vulgar filme de acção. Colin Farrel consegue convencer na sua personagem, mas a sua interpretação não é marcante o suficiente para constituir uma mais-valia. Um pormenor, que não passa de um detalhe estético, mas que a mim me incomodou de sobremaneira, foi o facto de se ouvir a voz do snyper em "estado normal" e não com a distorção do telefone. Daria com certeza um realismo diferente e tornaria até o suspense e a tensão maiores. Da forma como está, dá a sensação de estarmos a ouvir uma voz do além. Pode até ter sido mesmo com essa intenção que Joel Schumacher tenha optado por esse caminho, mas não me parece que tenha resultado. Existem também umas quantas falhas de argumento, pequenas é certo, até porque a certa altura há muito mais suspense do que propriamente história, mas que ainda assim não passarão despercebidas aos mais atentos. O final não é surpreendente, mas também não cai de todo na banalidade. Tem, contudo, um tom moralista demasiado alto para o gosto de alguns, mas que agradará certamente ao público norte-americano.
Em suma, uma ideia diferente do habitual resulta num filme não tão refrescante nem interessante como poderia ser. E só mesmo essa premissa que lhe serve de base, o consegue salvar de ser um filme banal. Eu diria, mediano.
setembro 25, 2004
MOONSTRUCK


(O Feitiço da Lua)
Norman Jewison - E.U.A. 1987


Aviso: Pode conter spoilers.

Loretta Castorini, uma jovem viúva de Brooklin, decide voltar a dar o nó com Johnny Cammareri, um pacato homem de meia idade, por quem ela não está verdadeiramente apaixonada. Pouco tempo antes do casamento, Loretta conhece Ronny Cammareri, irmão do seu futuro marido, acabando por se envolver.
Uma história simples com pessoas simples, mas um filme extremamente divertido e inteligente. No fundo, é uma comédia que joga com as fraquezas humanas e as expõe de uma forma hilariante. Falam-se de temas como casamento, infidelidade, amor, sorte. Dizem-se coisas que todos nós já ouvimos da boca de outros. E tomam-se decisões que também já tivemos ou teremos eventualmente de enfrentar. Mas tudo isto é feito e mostrado com uma seriedade diabolicamente divertida, e sem nunca levar o espectador a condenar nenhuma das personagens pelas suas atitudes. Cada um faz o que faz pelas suas razões, mas no fim tudo se resolverá. É esta a moral da história.
Mesmo que não fosse um bom filme, quase que valeria a pena ser visto só pelo seu elenco de luxo. Não é sempre que um realizador tem à sua disposição Cher, Nicholas Cage, Olympia Dukakis, Danny Aiello e outros do mesmo calibre. E ainda por cima, têm todos prestações fabulosas. Cher, que ganhou aqui o seu Óscar, brilha quase tanto com a Lua que dá o nome ao filme. E com Cage faz um par de uma química deliciosa.
Um conto de fadas com o toque dos tempos modernos, uma Cinderela urbana dividida pelos seus sentimentos, que pelo meio ainda tem de lidar com a sua caricata família. É um filme de personagens, feito das pequenas nuances e assente nas contradições que constituem a natureza humana. Ainda por cima, faz-nos sentir bem...
setembro 20, 2004
EDWARD SCISSORHANDS


(Eduardo Mãos de Tesoura)
Tim Burton - E.U.A. 1990


Aviso: Pode conter spoilers.

Uma vendedora da Avon, motivada pelas fracas vendas nas suas clientes habituais, sobe até uma mansão abandonada no cimo da cidade. Aí encontra um jovem sozinho, com a particularidade de ter tesouras no lugar das mãos. Decide então, levá-lo para sua casa e apresentá-lo à sua família e vizinhos. Porém, a adaptação de Edward não será tão fácil como inicialmente parecia.
Este é um filme lindíssimo, sob todos os aspectos. Há aqui uma conjugação de factores que o tornam em algo quase perfeito e uma experiência absolutamente inesquecível. Sendo um dos melhores trabalhos de Tim Burton, senão mesmo a sua grande obra prima, respira o estilo do realizador em cada milímetro de película. Cada ângulo, cada cor, cada pedaço de banda sonora e cada personagem são Tim Burton, em todo o esplendor do seu talento. Apesar de na sua essência ser apenas mais uma história de amor igual a tantas outras, nunca nos soa a banal ou a cliché. Pelo contrário, é quase sempre enternecedor e apaixonante, com o delicioso tom de uma história infantil, mas daquelas que atravessam gerações.
É impossível falar deste filme, sem falar de Johnny Depp. Se todo o elenco está à altura da beleza desta obra, Depp ajuda a elevá-la ainda mais em direcção ao topo. A sua interpretação é absolutamente fabulosa. Seria muito fácil com uma personagem como aquela cair no ridículo ou em overacting, mas Depp consegue transmitir a emoção certa na dose certa em cada momento, e praticamente sem falar.
Eduardo Mãos de Tesoura, é um filme absolutamente indispensável e obrigatório para cinéfilos e até para não-cinéfilos. Como é habitual em Burton, é algo para ser visto mais com o coração do que com a razão... mas certamente agradará aos dois.
setembro 15, 2004
THE BLAIR WITCH PROJECT


(O Projecto Blair Witch)
Daniel Myrick & Eduardo Sánchez - E.U.A. 1999


Aviso: Pode conter spoilers.

Um grupo de três estudantes viaja para Maryland, com o propósito de filmar um documentário sobre a lenda local da Bruxa de Blair. Depois de algumas entrevistas e depoimentos dos habitantes, dirigem-se para os bosques, onde pouco a pouco tudo começa a correr mal. Mas o que será afinal aquilo que os persegue?
Mal recebido pela crítica, este filme é amado por muitos e odiado por outros tantos. Os que gostaram defendem a sua originalidade, a sua capacidade de perturbar sem mostrar quase nada e o simples facto de ser diferente de quase tudo o resto. Por outro lado, aqueles que não gostaram, afirmam que é uma tentativa falhada e uma experiência cinematográfica sem sentido, que ainda por cima se fez valer de uma campanha de marketing enganosa. Algures entre estas duas opiniões opostas, situar-se-á aquilo que me pareceu este filme, que finalmente tive oportunidade de ver. Mas não me parece que seja um filme que mereça assim tanta atenção, sinceramente. É sem dúvida diferente, pelo menos no que ao formato diz respeito, já que em termos de conteúdo não traz propriamente nada de novo. É também verdade que se torna a espaços realmente perturbador e que o consegue fazer jogando apenas com o psicológico, não mostrando praticamente nada. O problema é o seu ritmo demasiado irregular, com demasiados altos e baixos (de tensão) sucessivos, tornando-se a dada altura até cansativo. Heather Donahue, que tem o papel de maior destaque, pareceu-me estar nos momentos de maior tensão em claro overacting, o que compromete o desejado realismo da obra.
De uma forma geral, The Blair Witch Project, não me seduziu mas também não constituiu uma grande desilusão. Acaba por ser um filme mediano, que apesar das suas claras aspirações a voos mais altos, não passa de apenas mais um filme...
setembro 10, 2004
HARRY POTTER AND THE PRISIONER OF AZKABAN


(Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban)
Alfonso Cuarón - E.U.A. 2004


Aviso: Pode conter spoilers.

No seu terceiro ano em Hogwarts, Harry Potter terá de enfrentar um novo inimigo. Sirius Black, que presumivelmente teria traído os seus pais entregando-os a Voldemort, escapou-se da prisão de Azkaban, para ir atrás do jovem Harry. Mas quais serão as suas verdadeiras intenções?
Para o mais recente filme da saga do jovem feiticeiro, Alfonso Cuarón prometia ambientes mais negros, personagens mais reais e uma mudança de estilo substancial em relação ao seu antecessor Chris Columbus. E a verdade é que essas alterações são mesmo bastante notórias. Mas também é verdade que o terceiro livro que lhe serve de base propicia em larga escala essas mesmas mudanças. Se os dois primeiros episódios (Pedra Filsofal e Câmara dos Segredos) são histórias eminentemente infantis com uma personagem principal na pele do perfeito herói, este terceiro livro, representa a transição para novos terrenos. A partir daqui a história torna-se a cada livro mais sombria, complexa e misteriosa, com um público alvo cada vez mais distante dos mais pequenos. Harry já não é a criança prodígio que todos querem ser. É um pré-adolescente com todos os problemas e inquietações típicas da sua idade e alguém que sofre, tem medo, tem esperanças e desejos... enfim, uma pessoa normal. Cuarón teve a esperteza e talento suficientes para aproveitar bem essas características, e aquilo que resultou foi que tal como o 3º livro é um livro de transição, também este 3º filme é um filme de transição.
Quanto às interpretações, os mais jovens revelam uma melhoria considerável nas suas prestações, ajudando ainda mais ao incrementar do maior realismo das personagens. Resta saber que parte do mérito dessa melhoria cabe à direcção de Cuarón e que parte cabe simplesmente ao facto dos jovens actores estarem mais experientes. Dos veteranos, destaque para o recém chegado Gary Oldman quase sempre irrepreensível nos seus papéis, principalmente os vilões. O "novo" Dumbledore provocará inevitavelmente alguma estranheza. Não há só uma mera alteração visual, há também uma considerável alteração de registo. O Dumbledore de Richard Harris conseguia enternecer e ao mesmo tempo transmitir uma solidez e uma sensação de segurança. O Dumbledore de Michael Gambon é igualmente poderoso, mas demasiado intimidante para alguém que se quer como um "porto seguro".
Nas contas finais, este filme sai com uma nota positiva. Não sei se é o melhor da saga até agora, mas é certamente o mais interessante.