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Junho 06, 2004
ETERNAL SUNSHINE OF THE SPOTLESS MIND
(O Despertar da Mente)
Michel Gondry - E.U.A. 2004
Aviso: Pode conter spoilers.
Joel e Clementine são um casal de namorados, com personalidades muito diferentes. Ele é tímido e inseguro, enquanto que ela é extrovertida e impulsiva. Ao fim de algum tempo, essas diferenças começam a gerar conflitos, até que um dia a relação acaba. Clementine recorre, então, a uma empresa chamada Lacuna, para apagar da sua memória todas as recordações de Joel. Quando este descobre, decide fazer o mesmo. Porém, a meio da intervenção, percebe que não é aquilo que ele quer. Será possível voltar atrás?
As minhas expectativas em relação a este filme eram muitíssimo altas. Primeiro, porque o argumento era de Charlie Kaufman. Segundo, porque todos os comentários que tinha lido e ouvido eram extremamente positivos. E a verdade é que já à algum tempo que não me conquistavam desta maneira numa sala de cinema.
Será quase excusado falar da originalidade do argumento, pois essa é a maior imagem de marca deste argumentista. Este não é excepção. O argumento é desafiador, cativante e brilhantemente estruturado, fazendo com que por muito estranhas que as coisas pareçam, nunca chegam a tornar-se confusas. As cenas dentro da cabeça de Joel, quando começa a lutar contra a máquina, são inesquecíveis. Quando tudo começa a desaparecer e a desmoronar-se à sua volta e quando tenta colocar Clementine noutras recordações para que não a consigam apagar, o espectador sentir-se-á como num sonho. E como num sonho, tudo (mas mesmo tudo) é possível de acontecer. A forma como toda a temática da memória é tratada e explorada quase ao máximo é absolutamente fascinante. O argumento brilhante é acompanhado por uma realização à altura, que responde de forma perfeita às exigências visuais da história. Como cereja no topo do bolo, temos um Jim Carrey a provar que tem um potencial dramático tão bom quanto o seu potencial cómico. Numa interpretação contida, consegue juntar esses dois lados num só e alternar de um para o outro em questão de segundos, como muito poucos actores conseguirão. Kate Winslett consegue encorporar uma personagem deliciosamente extravagante. Para além do trabalho dos actores principais, temos um conjunto de secundários que são também uma mais-valia neste filme.
Mas este filme é muito mais do que tudo o que já foi dito. Se a memória poderia parecer, à partida, um tema frio, desenganem-se. Consegue fazer-nos rir, e depois chorar no momento seguinte. E consegue, principalmente fazer-nos pensar. A viagem pela mente de Joel, acaba eventualmente por ser uma viagem pela nossa própria mente, pelas nossas memórias e pelas nossas oportunidades perdidas. As questões levantadas são tantas e tão profundas que é impossível falar delas aqui. Os momentos mais intensos são os últimos minutos do filme, quando o casal percebe que poderá ter desperdiçado (ou não) uma segunda oportunidade. Saí da sala com a sensação de ter acabado de ver uma obra inesquecível e um dos melhores filmes de sempre. É simplesmente cinema no seu estado mais puro! Genial...

(O Despertar da Mente)
Michel Gondry - E.U.A. 2004
Aviso: Pode conter spoilers.
Joel e Clementine são um casal de namorados, com personalidades muito diferentes. Ele é tímido e inseguro, enquanto que ela é extrovertida e impulsiva. Ao fim de algum tempo, essas diferenças começam a gerar conflitos, até que um dia a relação acaba. Clementine recorre, então, a uma empresa chamada Lacuna, para apagar da sua memória todas as recordações de Joel. Quando este descobre, decide fazer o mesmo. Porém, a meio da intervenção, percebe que não é aquilo que ele quer. Será possível voltar atrás?
As minhas expectativas em relação a este filme eram muitíssimo altas. Primeiro, porque o argumento era de Charlie Kaufman. Segundo, porque todos os comentários que tinha lido e ouvido eram extremamente positivos. E a verdade é que já à algum tempo que não me conquistavam desta maneira numa sala de cinema.
Será quase excusado falar da originalidade do argumento, pois essa é a maior imagem de marca deste argumentista. Este não é excepção. O argumento é desafiador, cativante e brilhantemente estruturado, fazendo com que por muito estranhas que as coisas pareçam, nunca chegam a tornar-se confusas. As cenas dentro da cabeça de Joel, quando começa a lutar contra a máquina, são inesquecíveis. Quando tudo começa a desaparecer e a desmoronar-se à sua volta e quando tenta colocar Clementine noutras recordações para que não a consigam apagar, o espectador sentir-se-á como num sonho. E como num sonho, tudo (mas mesmo tudo) é possível de acontecer. A forma como toda a temática da memória é tratada e explorada quase ao máximo é absolutamente fascinante. O argumento brilhante é acompanhado por uma realização à altura, que responde de forma perfeita às exigências visuais da história. Como cereja no topo do bolo, temos um Jim Carrey a provar que tem um potencial dramático tão bom quanto o seu potencial cómico. Numa interpretação contida, consegue juntar esses dois lados num só e alternar de um para o outro em questão de segundos, como muito poucos actores conseguirão. Kate Winslett consegue encorporar uma personagem deliciosamente extravagante. Para além do trabalho dos actores principais, temos um conjunto de secundários que são também uma mais-valia neste filme.
Mas este filme é muito mais do que tudo o que já foi dito. Se a memória poderia parecer, à partida, um tema frio, desenganem-se. Consegue fazer-nos rir, e depois chorar no momento seguinte. E consegue, principalmente fazer-nos pensar. A viagem pela mente de Joel, acaba eventualmente por ser uma viagem pela nossa própria mente, pelas nossas memórias e pelas nossas oportunidades perdidas. As questões levantadas são tantas e tão profundas que é impossível falar delas aqui. Os momentos mais intensos são os últimos minutos do filme, quando o casal percebe que poderá ter desperdiçado (ou não) uma segunda oportunidade. Saí da sala com a sensação de ter acabado de ver uma obra inesquecível e um dos melhores filmes de sempre. É simplesmente cinema no seu estado mais puro! Genial...
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