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Março 07, 2004
LOST IN TRANSLATION
(O Amor é um Lugar Estranho)
Sofia Coppola - EUA/Japão 2003
Bob Harris, uma estrela de cinema norte-americana viaja para Tóquio para gravar um anuncio. No hotel onde fica instalado, está também Charlotte, uma jovem rapariga que acompanha o seu marido fotógrafo. Juntos vão partilhar um estado de inadaptação ao local e às pessoas que os rodeiam.
Bill Murray está absolutamente perfeito no seu papel, e Scarlett Johanson acompanha-o sem dificuldades, compondo assim uma dupla deliciosa. As personagens estão muito bem delineadas, conseguindo o espectador perceber exactamente o que sentem. O argumento é muito simples, mas muito desconcertante, girando em torno do velho medo humano de nos sentirmos sós no meio da multidão. A realização tem um estilo muito particular, sendo que a história é mais contada por imagens do que por palavras. Nunca o silêncio falou tanto como neste filme, cada plano tem um significado. Sofia Coppola consegue mostrar as diferenças culturais, mas sem nunca rebaixar ou fazer juízos de valor sobre a cultura nipónica, conseguindo momentos verdadeiramente divertidos. Consegue mostrar também o fascinante contraste de um Japão altamente desenvolvido com um Japão que preserva, quase imaculadamente, as raízes de uma cultura milenar. O final está perfeito, nem poderia ser outro. Não me parece que a relação das duas personagens (que não chegamos a perceber até que ponto é de amor ou amizade) devesse ir mais além. A beleza do filme está aí, na forma como se apoiam mutuamente até que no final percebem a irrealidade do sentimento que os une.
Nunca um título disse tanto sobre um filme como aqui. Lost in Translation é mesmo a frase-chave da história. Simples, bonito, divertido, brilhante...

(O Amor é um Lugar Estranho)
Sofia Coppola - EUA/Japão 2003
Bob Harris, uma estrela de cinema norte-americana viaja para Tóquio para gravar um anuncio. No hotel onde fica instalado, está também Charlotte, uma jovem rapariga que acompanha o seu marido fotógrafo. Juntos vão partilhar um estado de inadaptação ao local e às pessoas que os rodeiam.
Bill Murray está absolutamente perfeito no seu papel, e Scarlett Johanson acompanha-o sem dificuldades, compondo assim uma dupla deliciosa. As personagens estão muito bem delineadas, conseguindo o espectador perceber exactamente o que sentem. O argumento é muito simples, mas muito desconcertante, girando em torno do velho medo humano de nos sentirmos sós no meio da multidão. A realização tem um estilo muito particular, sendo que a história é mais contada por imagens do que por palavras. Nunca o silêncio falou tanto como neste filme, cada plano tem um significado. Sofia Coppola consegue mostrar as diferenças culturais, mas sem nunca rebaixar ou fazer juízos de valor sobre a cultura nipónica, conseguindo momentos verdadeiramente divertidos. Consegue mostrar também o fascinante contraste de um Japão altamente desenvolvido com um Japão que preserva, quase imaculadamente, as raízes de uma cultura milenar. O final está perfeito, nem poderia ser outro. Não me parece que a relação das duas personagens (que não chegamos a perceber até que ponto é de amor ou amizade) devesse ir mais além. A beleza do filme está aí, na forma como se apoiam mutuamente até que no final percebem a irrealidade do sentimento que os une.
Nunca um título disse tanto sobre um filme como aqui. Lost in Translation é mesmo a frase-chave da história. Simples, bonito, divertido, brilhante...
Março 02, 2004
THE ITALIAN JOB
(Um Golpe em Itália)
F. Gary Gray - EUA/França/Reino Unido 2003
Um grupo de ladrões planeia um assalto a um cofre cheio de barras de ouro, em Itália. Já em fuga, depois de tudo ter corrido bem, são traídos por um deles (Edward Norton) que foge com o cofre depois de matar o patriarca do grupo (Donald Sutherland). Um ano mais tarde, voltam a reunir-se para procurar vingança e reaver o ouro, desta vez com a ajuda da filha (Charlize Theron) do colega morto.
Este filme tem hora e meia de puro entretenimento que passará sem se dar por isso. É como uma lufada fresca e estimulante que não deixa lugar ao tédio. A história não é das mais profundas, mas não deixa de ser consistente e coerente, assim como as personagens. O actores cumprem facilmente aquilo que se espera deles, com excepção de Ed Norton, cujo vilão não convence a 100%. Tem alguns momentos de realização muito interessantes e outros menos bons a fazer lembrar demasiado, para o meu gosto, o estilo "Fast and Furious". A cena dos Minis (imagem de marca deste filme) está bem conseguida, assim como a perseguição de lanchas pelos canais de Veneza. Cai nalguns clichés e tem uma situação ou outra mais prevísivel, mas nada que seja suficiente para estragar o resultado final. Este filme de bandidos (a fazer lembrar Ocean´s Eleven, mas bem melhor) é uma agradável surpresa e será uma boa opção para qualquer serão de cinema.

(Um Golpe em Itália)
F. Gary Gray - EUA/França/Reino Unido 2003
Um grupo de ladrões planeia um assalto a um cofre cheio de barras de ouro, em Itália. Já em fuga, depois de tudo ter corrido bem, são traídos por um deles (Edward Norton) que foge com o cofre depois de matar o patriarca do grupo (Donald Sutherland). Um ano mais tarde, voltam a reunir-se para procurar vingança e reaver o ouro, desta vez com a ajuda da filha (Charlize Theron) do colega morto.
Este filme tem hora e meia de puro entretenimento que passará sem se dar por isso. É como uma lufada fresca e estimulante que não deixa lugar ao tédio. A história não é das mais profundas, mas não deixa de ser consistente e coerente, assim como as personagens. O actores cumprem facilmente aquilo que se espera deles, com excepção de Ed Norton, cujo vilão não convence a 100%. Tem alguns momentos de realização muito interessantes e outros menos bons a fazer lembrar demasiado, para o meu gosto, o estilo "Fast and Furious". A cena dos Minis (imagem de marca deste filme) está bem conseguida, assim como a perseguição de lanchas pelos canais de Veneza. Cai nalguns clichés e tem uma situação ou outra mais prevísivel, mas nada que seja suficiente para estragar o resultado final. Este filme de bandidos (a fazer lembrar Ocean´s Eleven, mas bem melhor) é uma agradável surpresa e será uma boa opção para qualquer serão de cinema.
Fevereiro 28, 2004
PAYCHECK
(Pago para Esquecer)
John Woo - EUA 2003
Jennings, um engenheiro é contratado por empresas de alta tecnologia para projectos ultra-secretos, sendo que no final de cada trabalho é lhe apagada a memória, para que o segredo não seja divulgado. Numa dessas vezes algo corre mal, e Jennings começa a ser perseguido sem perceber porquê.
O argumento poderia parecer à partida muito interessante e até o chega a ser, mas tem falhas. Cai nos clichés mais comuns neste género de filmes, sendo até bastante prevísivel nalguns momentos. O espectador atento conseguirá perceber facilmente o que se segue, pois John Woo vai deixando pistas demasiado óbvias. É um filme bem ao estilo do realizador, que fará inevitavelmente lembrar Minority Report, mas ficando muito aquém da obra de Spielberg. Infelizmente, nem as interpretações ajudam, pois se Ben Affleck tem aqui mais uma prestação apagada, Uma Thurman também não consegue um bom desempenho.
É um filme que ocupará agradavelmente duas horas, mas que no final não deixa muito a dizer.

(Pago para Esquecer)
John Woo - EUA 2003
Jennings, um engenheiro é contratado por empresas de alta tecnologia para projectos ultra-secretos, sendo que no final de cada trabalho é lhe apagada a memória, para que o segredo não seja divulgado. Numa dessas vezes algo corre mal, e Jennings começa a ser perseguido sem perceber porquê.
O argumento poderia parecer à partida muito interessante e até o chega a ser, mas tem falhas. Cai nos clichés mais comuns neste género de filmes, sendo até bastante prevísivel nalguns momentos. O espectador atento conseguirá perceber facilmente o que se segue, pois John Woo vai deixando pistas demasiado óbvias. É um filme bem ao estilo do realizador, que fará inevitavelmente lembrar Minority Report, mas ficando muito aquém da obra de Spielberg. Infelizmente, nem as interpretações ajudam, pois se Ben Affleck tem aqui mais uma prestação apagada, Uma Thurman também não consegue um bom desempenho.
É um filme que ocupará agradavelmente duas horas, mas que no final não deixa muito a dizer.
Fevereiro 26, 2004
MONSTER
(Monstro)
Patty Jenkins - Alemanha/EUA - 2003
Ailleen, uma prostituta, vítima de abusos sexuais em criança, está à beira do suícidio e entra num bar. Aí conhece Selby e rapidamente se apaixonam. No dia seguinte, encontra um cliente que lhe bate violentamente mas consegue escapar-se acabando por matá-lo. Aileen vai então agarrar-se à sua nova paixão como a um salva-vidas, e após várias tentativas falhadas para mudar de vida, cai de novo na prostituição para satisfazer os caprichos de Selby.
Esta é uma história verídica e impressionará mais se a virmos com isso em conta. Charlize Theron tem uma interpretação absolutamente fantástica que parece melhorar com o decorrer da história. Há que fazer uma nota à prestação de Christina Ricci, que apesar de ter uma personagem aparentemente menos intensa, está também excelente. Juntas carregam praticamente todo o peso do filme nos ombros, levando-o a bom porto. Mas o melhor deste filme, talvez seja o facto de conseguir mostrar os dois lados da moeda. Consegue mostrar a pessoa por detrás do "monstro", não deixando também de revelar a sua loucura e crueldade. Ou seja, não deixamos de nos chocar com os crimes de Ailleen, mas também não conseguimos evitar emocionarmo-nos com o seu trágico percurso. Não é o género de filme que nos faça regressar a casa a pensar como a vida é bela. É um filme negro, depressivo e emocionalmente violento, mas muito muito bom...

(Monstro)
Patty Jenkins - Alemanha/EUA - 2003
Ailleen, uma prostituta, vítima de abusos sexuais em criança, está à beira do suícidio e entra num bar. Aí conhece Selby e rapidamente se apaixonam. No dia seguinte, encontra um cliente que lhe bate violentamente mas consegue escapar-se acabando por matá-lo. Aileen vai então agarrar-se à sua nova paixão como a um salva-vidas, e após várias tentativas falhadas para mudar de vida, cai de novo na prostituição para satisfazer os caprichos de Selby.
Esta é uma história verídica e impressionará mais se a virmos com isso em conta. Charlize Theron tem uma interpretação absolutamente fantástica que parece melhorar com o decorrer da história. Há que fazer uma nota à prestação de Christina Ricci, que apesar de ter uma personagem aparentemente menos intensa, está também excelente. Juntas carregam praticamente todo o peso do filme nos ombros, levando-o a bom porto. Mas o melhor deste filme, talvez seja o facto de conseguir mostrar os dois lados da moeda. Consegue mostrar a pessoa por detrás do "monstro", não deixando também de revelar a sua loucura e crueldade. Ou seja, não deixamos de nos chocar com os crimes de Ailleen, mas também não conseguimos evitar emocionarmo-nos com o seu trágico percurso. Não é o género de filme que nos faça regressar a casa a pensar como a vida é bela. É um filme negro, depressivo e emocionalmente violento, mas muito muito bom...
Fevereiro 21, 2004
THE UNTOUCHABLES
(Os Intocáveis)
Brian de Palma - EUA 1987
Eu sei que este filme já tem alguns anos, mas não deixa de ser um dos meus favoritos. Brian de Palma tem aqui uma das suas melhores obras contando com a colaboração de um leque de actores conhecidos. O local é Chicago e o tempo é o da Lei Seca quando Al Capone tinha controlo sobre tudo o que se passava. É então formada uma equipa de quatro polícias que vai embarcar numa perigosa perseguição ao homem. Kevin Costner interpreta Elliot Ness, o líder e um polícia com métodos mais convencionais. Sean Connery (oscar e globo de ouro para melhor actor secundário) é o polícia irlandês mais experiente e ousado. Andy Garcia é o atirador-prodígio italiano e Charles Martin Smith é o contabilista do grupo e o primeiro a sugerir a questão fiscal. Finalmente temos Robert de Niro no papel de um impiedoso Al Capone.
Uma das melhores cenas é, sem dúvida, a do tiroteio na estação de comboios enquanto o carrinho de bebé cai pela escadaria. É uma das cenas de maior tensão na história do cinema e consegue deixar o espectador sem respiração durante os longos e angustiantes segundos que dura. Se nada mais prestasse, valeria a pena ver o filme só por este pedaço, mas felizmente isso não acontece e muitas outras cenas brilhantes ficarão na memória de quem vê (por exemplo a cena do assassinato brutal da personagem de Sean Connery).
Há um envolvimento quase inevitável do espectador com as personagens e com a sua missão. A banda sonora, a cargo de Ennio Morricone, tem momentos fantásticos, ajudando a criar ambiências e despertar sensações.
É um excelente filme, com boas interpretações e cheio de cenas memoráveis. Recomendado...

(Os Intocáveis)
Brian de Palma - EUA 1987
Eu sei que este filme já tem alguns anos, mas não deixa de ser um dos meus favoritos. Brian de Palma tem aqui uma das suas melhores obras contando com a colaboração de um leque de actores conhecidos. O local é Chicago e o tempo é o da Lei Seca quando Al Capone tinha controlo sobre tudo o que se passava. É então formada uma equipa de quatro polícias que vai embarcar numa perigosa perseguição ao homem. Kevin Costner interpreta Elliot Ness, o líder e um polícia com métodos mais convencionais. Sean Connery (oscar e globo de ouro para melhor actor secundário) é o polícia irlandês mais experiente e ousado. Andy Garcia é o atirador-prodígio italiano e Charles Martin Smith é o contabilista do grupo e o primeiro a sugerir a questão fiscal. Finalmente temos Robert de Niro no papel de um impiedoso Al Capone.
Uma das melhores cenas é, sem dúvida, a do tiroteio na estação de comboios enquanto o carrinho de bebé cai pela escadaria. É uma das cenas de maior tensão na história do cinema e consegue deixar o espectador sem respiração durante os longos e angustiantes segundos que dura. Se nada mais prestasse, valeria a pena ver o filme só por este pedaço, mas felizmente isso não acontece e muitas outras cenas brilhantes ficarão na memória de quem vê (por exemplo a cena do assassinato brutal da personagem de Sean Connery).
Há um envolvimento quase inevitável do espectador com as personagens e com a sua missão. A banda sonora, a cargo de Ennio Morricone, tem momentos fantásticos, ajudando a criar ambiências e despertar sensações.
É um excelente filme, com boas interpretações e cheio de cenas memoráveis. Recomendado...
Fevereiro 18, 2004
INTACTO
(Intacto)
Juan Carlos Fresnadillo - Espanha 2001
Este filme do jovem realizador espanhol Juan Carlos Fresnadillo foi, em 2003, o grande vencedor do Fantasporto. Conta a história de um grupo de pessoas incrivelmente sortudas, cujos destinos se vão cruzar. Um deles vai procurar vingar-se daquele que é considerado o mais poderoso de todos eles, arrastando consigo outras personagens. Consiste numa nova abordagem sobre o que é de facto a "sorte", dando-lhe uma nova dimensão. Assistimos ao trajecto de várias personagens abençoadas com o Dom, mas que ao mesmo tempo vivem amaldiçoadas por essa benção. É, no fundo, revelador da complexidade humana e do seu eterno sentimento de insatisfação. Num argumento que prima pela originalidade, o espectador é progressivamente embrenhado pela história até finalmente perceber as regras do jogo. Quem vê, dá por si a tecer variadas hipóteses, tentando ver por detrás daquilo que o realizador vai lentamente destapando. É um filme que dá que pensar, envolvendo o espectador numa espiral de curiosidade e incerteza. Vale a pena ver...

(Intacto)
Juan Carlos Fresnadillo - Espanha 2001
Este filme do jovem realizador espanhol Juan Carlos Fresnadillo foi, em 2003, o grande vencedor do Fantasporto. Conta a história de um grupo de pessoas incrivelmente sortudas, cujos destinos se vão cruzar. Um deles vai procurar vingar-se daquele que é considerado o mais poderoso de todos eles, arrastando consigo outras personagens. Consiste numa nova abordagem sobre o que é de facto a "sorte", dando-lhe uma nova dimensão. Assistimos ao trajecto de várias personagens abençoadas com o Dom, mas que ao mesmo tempo vivem amaldiçoadas por essa benção. É, no fundo, revelador da complexidade humana e do seu eterno sentimento de insatisfação. Num argumento que prima pela originalidade, o espectador é progressivamente embrenhado pela história até finalmente perceber as regras do jogo. Quem vê, dá por si a tecer variadas hipóteses, tentando ver por detrás daquilo que o realizador vai lentamente destapando. É um filme que dá que pensar, envolvendo o espectador numa espiral de curiosidade e incerteza. Vale a pena ver...
Fevereiro 15, 2004
THE PIANIST
(O Pianista)
Roman Polanski - Alemanha/França/Polónia/Reino Unido 2002
Um dos aspectos mais impressionantes deste filme, é que apesar de ter uma temática já tão explorada, consegue ainda arrepiar e deixar um nó da garganta do espectador. É como se este meio século que nos separa do Holocausto se dissipasse, transformando a indiferença em verdadeira angústia. Poder-se-á dizer que a realização de Polanski é propositadamente chocante e que é claríssimo o objectivo de revoltar o espectador e fazê-lo pensar "como foi possível...?". Mas não será isso essencial?
A realização é sóbria e clássica, conseguindo momentos verdadeiramente perturbadores, quer pelo seu horror, quer pela sua estranha beleza. Um dos momentos mais marcantes é a cena em que a personagem principal já frágil pela fome, pelas doenças e pelo frio toca cheio de fervor uma peça no piano, a pedido de um oficial alemão.
Escusado será dizer que a interpretação de Brody é brilhante, contribuindo para a terrível beleza desta obra.
Este filme mostra, mais do que os horrores da guerra, o pior que existe no ser humano e os inacreditáveis níveis de crueldade a que consegue chegar. Imperdível...

(O Pianista)
Roman Polanski - Alemanha/França/Polónia/Reino Unido 2002
Um dos aspectos mais impressionantes deste filme, é que apesar de ter uma temática já tão explorada, consegue ainda arrepiar e deixar um nó da garganta do espectador. É como se este meio século que nos separa do Holocausto se dissipasse, transformando a indiferença em verdadeira angústia. Poder-se-á dizer que a realização de Polanski é propositadamente chocante e que é claríssimo o objectivo de revoltar o espectador e fazê-lo pensar "como foi possível...?". Mas não será isso essencial?
A realização é sóbria e clássica, conseguindo momentos verdadeiramente perturbadores, quer pelo seu horror, quer pela sua estranha beleza. Um dos momentos mais marcantes é a cena em que a personagem principal já frágil pela fome, pelas doenças e pelo frio toca cheio de fervor uma peça no piano, a pedido de um oficial alemão.
Escusado será dizer que a interpretação de Brody é brilhante, contribuindo para a terrível beleza desta obra.
Este filme mostra, mais do que os horrores da guerra, o pior que existe no ser humano e os inacreditáveis níveis de crueldade a que consegue chegar. Imperdível...
Fevereiro 12, 2004
TO KILL A KING
(Matar o Rei)
Mike Barker - Alemanha/Reino Unido 2003
Este é um filme indicado para aqueles que (como eu) gostam de história. Relata os acontecimentos de uma das fases da Revolução Inglesa, quando os parlamentaristas se revoltam contra o rei absolutista, acabando este por ser decapitado. Após a morte do rei, é instaurado o regime republicano liderado com mão de ferro por Oliver Cromwell, mas que acaba por cair depois da sua morte. É uma produção britânica repleta de bons actores, incluindo um quase irreconhecível Rupert Everett no papel do rei Charles I. É, sem dúvida um bom filme, muito bem produzido e com muito boas interpretações. Porém, na minha opinião, não terá o mesmo tipo de efeito naqueles que não tenham conhecimentos da História da Europa moderna. Ajuda que se tenha uma noção da ordem política dos sécs. XVII e XVIII, para que se perceba o contexto dos acontecimentos retratados no filme e se entenda a sua dimensão e consequências.
Poderá ser uma boa experiência para quem gosta de bom cinema de época, mas será ainda melhor para aqueles que se interessam por História...

(Matar o Rei)
Mike Barker - Alemanha/Reino Unido 2003
Este é um filme indicado para aqueles que (como eu) gostam de história. Relata os acontecimentos de uma das fases da Revolução Inglesa, quando os parlamentaristas se revoltam contra o rei absolutista, acabando este por ser decapitado. Após a morte do rei, é instaurado o regime republicano liderado com mão de ferro por Oliver Cromwell, mas que acaba por cair depois da sua morte. É uma produção britânica repleta de bons actores, incluindo um quase irreconhecível Rupert Everett no papel do rei Charles I. É, sem dúvida um bom filme, muito bem produzido e com muito boas interpretações. Porém, na minha opinião, não terá o mesmo tipo de efeito naqueles que não tenham conhecimentos da História da Europa moderna. Ajuda que se tenha uma noção da ordem política dos sécs. XVII e XVIII, para que se perceba o contexto dos acontecimentos retratados no filme e se entenda a sua dimensão e consequências.
Poderá ser uma boa experiência para quem gosta de bom cinema de época, mas será ainda melhor para aqueles que se interessam por História...
Fevereiro 10, 2004
THE HAUNTED MANSION
(A Casa Assombrada)
Rob Minkoff - EUA 2003
Mais um filme da Disney. Não é o pior, mas também não está, definitivamente, entre os melhores. Apesar de tudo, vê-se bem. É o filme certo para ver com os primos, os avós, os sobrinhos, os irmãos pequenos... enfim, toda a família. Não é um filme onde se depositem grandes espectativas, por isso acaba por não provocar uma grande desilusão. Cumpre, mais ou menos, aquilo que se espera duma obra deste género.Tem dois ou três momentos verdadeiramente hilariantes e outros gags que pura e simplesmente não resultam.
Conta a história dum casal com dois filhos, que trabalha no ramo da imobiliária. Certo dia, recebem um estranho telefonema a propor o negócio para a venda de uma mansão. Porém, quando se deslocam ao local percebem que nem tudo é o que parece e que existe uma maldição sobre os habitantes da casa, que poderá pôr em perigo a vida dos recém chegados. Não será uma obra memorável, mas de qualquer forma quem vai ver este tipo de filmes, já tem uma ideia do que irá encontrar. Desse ponto de vista, não desilude grandemente e acaba por ser aquilo que se espera, com melhores e piores momentos.

(A Casa Assombrada)
Rob Minkoff - EUA 2003
Mais um filme da Disney. Não é o pior, mas também não está, definitivamente, entre os melhores. Apesar de tudo, vê-se bem. É o filme certo para ver com os primos, os avós, os sobrinhos, os irmãos pequenos... enfim, toda a família. Não é um filme onde se depositem grandes espectativas, por isso acaba por não provocar uma grande desilusão. Cumpre, mais ou menos, aquilo que se espera duma obra deste género.Tem dois ou três momentos verdadeiramente hilariantes e outros gags que pura e simplesmente não resultam.
Conta a história dum casal com dois filhos, que trabalha no ramo da imobiliária. Certo dia, recebem um estranho telefonema a propor o negócio para a venda de uma mansão. Porém, quando se deslocam ao local percebem que nem tudo é o que parece e que existe uma maldição sobre os habitantes da casa, que poderá pôr em perigo a vida dos recém chegados. Não será uma obra memorável, mas de qualquer forma quem vai ver este tipo de filmes, já tem uma ideia do que irá encontrar. Desse ponto de vista, não desilude grandemente e acaba por ser aquilo que se espera, com melhores e piores momentos.